A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) aprovou, na quinta-feira (07) a prestação experimental de serviços de telefonia móvel por satélite no Brasil. As informações são divulgadas pelo órgão regulador em meio ao crescente interesse por parte de clientes e operadoras em tecnologias de comunicação utilizando estações na órbita baixa da Terra.

O 5G que Paga Você. TEGG TELECOMUNICAÇÕES

Conhecida como Direct-to-Device (D2D ou “direto ao dispositivo”, em tradução literal), a tecnologia pode permitir que qualquer celular tenha acesso a serviços de telecomunicação via satélite — especialmente em casos de emergência — em locais onde não há cobertura de rede móvel ou Wi-Fi, sem a necessidade de hardware adicional.

Claro e TIM, operadoras que solicitaram o aval para experimentar a tecnologia em parceria com a AST SpaceMobile, poderão conduzir testes em um sandbox regulatório — isto é, um ambiente regulatório em que o órgão concede regras especiais para que empresas possam realizar experimentos com tecnologias inéditas em espaços controlados.

O D2D permite que os usuários de telefonia móvel utilizem seus aparelhos para transmitir dados e voz aos satélites de baixa órbita (LEO), que retransmitem o sinal às torres fixas no solo. O processo envolve a utilização das próprias frequências do Serviço Móvel Pessoal, como 4G e 5G, portanto, seria compatível com qualquer celular moderno.

Outras empresas detentoras de uso do espectro da telefonia móvel potencialmente interessadas nos serviços experimentais poderão utilizar o sandbox regulatório. A solicitação deve ser feita para as respectivas prestadoras de serviços móveis detentoras dos espectros.

O sandbox regulatório permitirá que as empresas conduzam testes por até 24 meses. A Anatel fiscalizará o processo para acompanhar possíveis impactos aos consumidores dos serviços envolvidos nos testes das operadoras.

Alexandre Freire, conselheiro da Anatel, vê a conexão direta entre smartphone e satélite como um avanço para expandir a cobertura do serviço móvel pessoal no Brasil, algo que reduziria o impacto da exclusão digital de habitantes em áreas remotas.

“Ao tornar os serviços de telecomunicações mais acessíveis a uma parcela maior do território nacional, isso contribuirá para impulsionar o desenvolvimento econômico e para empoderar os indivíduos como um todo pela ampliação da conectividade significativa”, disse o conselheiro, que também é vistoriador da matéria.

A comunicação via satélite se tornou um recurso de interesse para fabricantes de celulares. O iPhone 15 e Xiaomi 14 Ultra são exemplos de aparelhos compatíveis com a tecnologia. Há, contudo, obstáculos que impedem uma rápida popularização do serviço, como a atual necessidade de hardware dedicado para que aparelhos se conectem com os satélites.

À luz dessas dificuldades, empresas do ramo passaram a explorar novas formas de levar conexão via satélite aos dispositivos de usuários que podem ser prejudicados pela falta de cobertura da rede móvel. Com isso, a T-Mobile e SpaceX anunciaram, em 2022, uma parceria com a ambiciosa meta de levar cobertura universal de internet móvel através da Starlink.

Os frutos da parceria se mostraram positivos. Recentemente, Elon Musk, CEO da SpaceX, publicou resultados de um teste de conexão direta de satélite para um celular sem qualquer hardware especial ou modificação — especificamente, o Samsung Galaxy S21 Ultra — que mostraram boa velocidade de conexão e latência de rede.

O Google estaria preparando a adição dessa tecnologia no Android. Conforme noticiamos nesta sexta-feira (08), versões de teste do sistema operacional começaram a incluir os primeiros códigos referentes a mensagens de texto utilizando satélites.

Fonte: Tecnocelular